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No primeiro trimestre de 2026, o Brasil entrou pela primeira vez na lista dos dez países mais atingidos por ransomware do mundo, segundo levantamento da Check Point Software — 2.122 organizações tiveram dados expostos em sites de vazamento no período, o segundo maior volume já registrado para um primeiro trimestre. Em junho de 2026, o país chegou ao 3º lugar mundial em novos ataques registrados num único mês, atrás apenas de Estados Unidos e Alemanha, segundo a plataforma Ransomware.Live.
Os números por trás disso preocupam ainda mais: um estudo da Sophos aponta que 73% das empresas brasileiras já afirmaram ter sido vítimas de ransomware, e a SonicWall registrou crescimento de 25% nos ataques só no primeiro semestre de 2025. Cerca de 70% dos ataques hoje combinam criptografia com roubo de dados — a chamada dupla extorsão, em que o criminoso ameaça vazar as informações mesmo se o resgate for pago.
Se sua empresa nunca parou para avaliar a própria exposição, aqui estão 5 sinais que costumam aparecer nos casos que viram manchete.
1. Não existe autenticação multifator (MFA) em contas críticas
O MFA é considerado, por especialistas em segurança, a medida com melhor custo-benefício em cibersegurança: mesmo que uma senha seja roubada, o acesso continua bloqueado sem o segundo fator. Se contas de administrador, e-mail corporativo ou acesso remoto (VPN, RDP) ainda dependem só de usuário e senha, esse é o ponto de entrada mais comum — e mais barato de fechar.
2. Os backups nunca foram testados de verdade
Ter uma cópia de segurança não é o mesmo que conseguir restaurá-la. Um backup que fica acessível com as mesmas credenciais administrativas do ambiente de produção pode ser apagado ou criptografado junto com o resto no momento do ataque. A estratégia recomendada por especialistas é a regra 3-2-1 (3 cópias, em 2 mídias diferentes, com 1 delas fora da rede principal), com testes periódicos de restauração — porque o teste importa tanto quanto a cópia em si.
3. Softwares e sistemas estão sem atualização (patch) há meses
Boa parte dos ataques de ransomware não começa com uma técnica sofisticada — começa com uma vulnerabilidade conhecida que já tinha correção disponível, mas nunca foi aplicada. Sistemas fora do suporte do fabricante, sem rotina de patch management, são porta de entrada recorrente para grupos de ransomware que hoje usam inteligência artificial para acelerar a exploração de falhas e reduzir o tempo de reação da empresa.
4. A rede não tem segmentação
Sem segmentação, um único endpoint comprometido — o notebook de um funcionário, por exemplo — vira porta de entrada para toda a rede. Com segmentação bem feita, servidores ficam isolados e um ataque que consegue entrar fica contido numa área menor, o que reduz drasticamente o impacto final. Setores como serviços empresariais, indústria e saúde são hoje os mais visados no Brasil justamente pela alta dependência operacional e pelo impacto de uma paralisação.
5. Não existe plano de resposta a incidentes — nem treinamento contra phishing
Segundo o State of Ransomware 2026 da Sophos, e-mail malicioso, phishing e credenciais comprometidas seguem entre as principais causas de ataques bem-sucedidos. Se a empresa não tem um playbook definido (quem aciona quem, em que ordem, com quais ferramentas) nem treina os funcionários para reconhecer tentativas de phishing, o tempo de reação a um incidente real tende a ser medido em dias, não em horas — e cada hora de sistemas bloqueados custa caro.
O que a LGPD tem a ver com isso
Se dados pessoais forem afetados, a LGPD (Lei 13.709/2018, artigo 48) obriga a empresa a comunicar a ANPD e os titulares afetados sobre a ocorrência de incidente que possa gerar risco ou dano relevante — em prazo considerado razoável pela autoridade, na prática algo entre 2 e 3 dias úteis após a empresa tomar conhecimento. As penalidades vão de advertência a multa de até 2% do faturamento, limitada a R$ 50 milhões por infração. Ou seja: um ataque de ransomware que envolve dados de clientes ou funcionários não é só um problema técnico — é também um problema jurídico com prazo curto para agir.
Por onde começar
Nenhuma empresa precisa resolver os 5 pontos no mesmo dia, mas vale priorizar nesta ordem: MFA em contas administrativas (mais barato, mais rápido), teste de restauração de backup, e um plano simples de resposta a incidentes por escrito — mesmo que em uma página. O resto pode (e deve) evoluir a partir daí.
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Resumo
Ransomware cresceu 25% no Brasil em 2025. Veja 5 sinais que mostram se sua empresa está exposta e o que fazer antes que seja tarde demais.
Escrito por
Isabella Chen
Analista de Segurança






