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A ausência de páginas no índice do Google pode gerar perdas significativas de tráfego. Essa situação é especialmente crítica em páginas que recebem bom volume de acessos — seja de forma direta, seja por meio de busca orgânica —, mas que estão com uma das seguintes mensagens no Search Console: "Não indexado" ou "<página> não foi rastreada nem indexada por um motivo diferente de erro".
O fato de uma página não estar indexada não significa que o Google não consiga encontrá-la (e talvez até mesmo mostrá-la nos resultados de busca). Essa diferença é sutil, mas importante. Caso o Google não consiga acessar a página, será exibido um aviso "Rastreador do Google não conseguiu acessar a página". Há algumas razões que fazem com que suas URLs não sejam indexadas. As mais comuns são: uma regra no robots.txt inibindo o rastreamento, uma meta tag indicando "noindex", a exclusão de URL (ou "outdated content") ou o estado "not crawlable" por falha nos dados estruturados.
1. Introdução
A falta de indexação de páginas é um resultado indesejável para qualquer site. A consequência mais perceptível é o não recebimento de tráfego orgânico a partir de consultas no Google. Porém, a perda de uma ou mais páginas do índice pode acarretar problemas escondidos. Contudo, é importante diferenciar a não indexação da não recepção de tráfego: uma página pode não ser encontrada, e ainda assim constar do índice. Portanto, um diagnóstico adequado deve ir além dos sintomas. O Search Console possui um relatório que serve precisamente para essa análise: Page Indexing.
Esse relatório aponta páginas não indexadas e os motivos. As causas mais comuns são bloqueio acidental, problemas de canonicalização, conteúdo duplicado e tempo de rastreamento escasso. Essa seção orienta como entender os erros e avisos, priorizar as páginas que devem ser indexadas e corrigir os problemas. A falta de uma técnica específica não é impeditivo para o diagnóstico e a correção: basta ter uma compreensão geral do que cada estado significa.
2. Entendendo o que significa não indexar
A mensagem não indexado pode parecer confusa, pois a página pode ser acessada normalmente. Essa assistência revela a diferença entre crawleable e indexable. Quando uma página "não indexa", isso não significa que não seja encontrada, mas apenas que o Google não considera essa URL digna de figurar nos resultados. O Google analisa os resultados e, se uma URL parecida oferecer um resultado mais relevante, ela será apresentada em vez daquela que não está indexada. Mesmo assim, é importante que todos os links estejam assim indexados para que possam ser acessados e suas informações, utilizadas no cálculo da relevância.
Quando a página não converte, vale a pena investigar as causas. Às vezes, as conversões não estão nas primeiras páginas, mas na cauda longa, que depende da indexação de páginas com menos acessos, mas que, somadas, podem ter uma relevância significativa. Em outras palavras, a não indexação pode ser um sinal de "menos confiável", mas, quando se apresenta com um resultado, embora seja acessível, acaba sendo ignorada. O que vai acontecer nessa situação? A página que não foi indexada não aparece nas respostas do Google, mas quando aparece no site da empresa, não é mostrada como opcional na SERP. Portanto, é difícil saber o que será enviado.
Se a página não indexar, pode ser por um ou mais dos seguintes motivos: a URL pode estar bloqueada por uma regra do robots.txt; a meta tag do robots está com o valor "noindex"; a meta tag está bloqueada e o Google não tem acesso ao conteúdo; a URL está bloqueada em uma tag de HTML; a URL é um conteúdo duplicado que está sendo consolidado em sua página canônico; a URL não está no sitemap.xml; o tempo de crawl é insuficiente e o Google não está conseguindo indexar todas as páginas que gostaria; ou, por último, essa URL não precisa de indexação.
3. Cenários comuns que impedem a indexação
É possível que a página esteja acidentalmente bloqueada para indexação, que haja um problema de canonicalização ou que o Google a considere uma versão duplicada ou semelhante de outra página, dificultando a indexação. Também é possível que a página contenha conteúdo que o Google considere de baixa qualidade, de forma a não valer a pena gastar recursos de rastreamento com ela, ou que a configuração do site não permita que o Google a siga.
Bloqueio acidental: a página pode estar bloqueada pela tag noindex, por uma regra no arquivo robots.txt ou por uma tag de meta robots com a opção "disallow". Problemas de canonicalização: a página pode estar bloqueada para indexação porque é um canonical de outra página que não está indexada ou que está bloqueada por uma regra de robots. Conteúdo duplicado: se a página tiver conteúdo com o mesmo ou similar aspecto que o de uma ou mais páginas indexadas, o Google pode não ter rastreado essa página. Dificuldades de indexação: se a página estiver com uma pontuação de qualidade muito baixa, o Google pode considerá-la como publicada apenas para atendimento a requisições específicas, sem necessidade de ser indexada. Limitações de rastreamento: se a página estiver com pontuação de qualidade baixa ou com tempo de carregamento excessivo, o Google pode não estar gastando tempo e recursos de rastreamento com ela.
4. Diagnóstico do relatório Page Indexing no Search Console
O diagnóstico começa pela leitura do relatório Page Indexing do Search Console, um painel que agrega todas as páginas que não estão indexadas pelo Google. Uma leitura estratégica envolve, primeiramente, os erros e avisos listados, pois representam problemas que os robôs encontram ao tentar indexar as páginas. A seguir, é essencial priorizar as páginas que precisam ser indexadas. Essa priorização considera três critérios: a quantidade de tráfico potencial que cada página pode gerar, sua importância para a empresa e seu frescor, ou seja, se contêm informações novas que precisam ser disponibilizadas rapidamente.
A interpretação dos erros e avisos é complexa porque nem sempre o código e a mensagem indicam o verdadeiro motivo do problema. Os detalhes mais relevantes para a priorização são a severidade dos códigos, que variam entre 1 (crítico) e 10 (menos importante), e as mensagens de erro, pois algumas indicam que o Google não quer indexar a URL, enquanto outras apontam que o Google não consegue rastreá-la. O ideal é que esses componentes sejam levados em consideração ao registrar as páginas.
4.1. Leitura dos erros e avisos
A seção do relatório Page Indexing que apresenta os erros e avisos merece atenção por vários motivos. Primeiro, é importante identificar quais páginas estão afetadas e qual é o problema associado a cada uma delas. Depois, cada mensagem de erro ou aviso deve ser decifrada, pois alguns códigos são mais críticos do que outros.
A leitura deve começar dos mais críticos para os menos relevantes e a prioridade deve ser dada às páginas que o site gostaria que fossem indexadas. As mensagens de erro que tratam da área de crawling são as mais importantes. Para elas, vale a máxima de que se não está no Google, não existe.
4.2. Priorização de páginas para indexação
A lista de páginas não indexadas deve ser analisada com um olhar estratégico. Primeiramente, é necessário tentar entender os motivos de não indexação, em especial aqueles marcados com erro ou aviso no relatório; em segundo lugar, as páginas devem ser ordenadas em um roadmap, com prioridade para aquelas que têm mais chance de gerar tráfego nos próximos dias e semanas. Para isso, convém considerar três pontos.
O primeiro diz respeito ao potencial de tráfego. Se a página não indexada é uma página de cauda longa, que deve gerar visitas com um volume muito baixo, aí não vale a pena perder tempo com isso e talvez seja melhor nem corrigir. O segundo ponto diz respeito à importância comercial da página. Se é uma página de produto no e-commerce, mesmo que não traga tráfego, convém corrigir. O terceiro diz respeito ao quão antiga a página é e quando foi a última atualização. Páginas que não são rastreadas e que têm conteúdo recente, como notícias, convém corrigir antes.
5. Técnicas de correção passo a passo
As técnicas a seguir oferecem um passo a passo para restaurar a indexação de páginas. O acompanhamento deve ser minucioso, uma vez que muitas vezes as causas não são evidentes ou podem parecer não afetar o processo de indexação, mas de fato o fazem.
A primeira verificação é a acessibilidade às páginas e as regras definidas no robots.txt. Para tal, é indicado o uso do "URL Inspection" do Search Console. Devem ser checadas também as permissões (allow ou disallow) da conta e a acessibilidade das URLs diretamente pelo bot do Google. O código de status deve ser igual a 200, e a página deve ser acessível a partir do caminho de raiz do site. Se houver qualquer regra de bloqueio nesse sentido, a indexação poderá ser afetada.
5.1. Verificação de acessibilidade e robots.txt
A acessibilidade das URLs é crucial. O Google precisa acessar a página indicada e ter permissão para rastreá-la. O bloqueio de uma URL pelo arquivo robots.txt impede seu rastreamento, mas não necessariamente sua indexação. Nesse contexto, um bloqueio acidental e o não rastreamento de uma URL útil são os dois problemas mais comuns. Todo site deve ser acessível a partir de um caminho de raiz (www.exemplo.com). Um caminho que comece assim diminui o risco de erros de crawlability.
A regra de bloqueio pode ser verificada no Search Console (Índice > Verificar URL). Se uma regra de robots.txt impossibilitar o rastreamento de uma página importante, essa condição deve ser corrigida. Além disso, confirmar se a página é crawlable de fato é sempre uma boa prática. É possível usar o modo Incognito do Chrome. Ao acessar a página e adicionar o User-Agent do Google (User-Agent: Mozilla/5.0 (compatible; Googlebot/2.1; +http://www.google.com/bot.html)) é possível simular como o Google a vê e diagnosticar possíveis problemas.
5.2. Checagem de meta tags e dados estruturados
Durante os passos anteriores, que se concentraram na acessibilidade das páginas bloqueadas e em suas regras de robots.txt, já foi verificado como o próprio Googlebot enxerga a página; por isso, logo aqui é confirmado se os dados estruturados estão corretos e se as meta tags não estão indicando um noindex facilmente removível.
Para páginas que não são acessíveis ao Googlebot, a presença de um noindex nos dados estruturados deve ser explorada. Caso a página precise de um noindex, o Googlebot não a acessar deveria ser um indicativo do porquê!
Portanto, é verificado se as páginas que não estão indexadas apresentam um noindex ou um problema de dados estruturados, não precisando da indexação, e se essa situação é a mais adequada.
5.3. Contenção de conteúdo duplicado
Para otimizar a indexação, é preciso evitar que o Google considere o conteúdo de uma página equivalente ao de outras páginas. O principal recurso para conter a duplicação é o link rel canonical, que deve apontar para a versão preferida do conteúdo. Outros cuidados incluem a redução da duplicidade em URLs com parâmetros e a sinalização da versão “must have” quando diferentes versões com finalidades distintas são necessárias.
Caso o conteúdo da página seja igual ou muito semelhante ao de outro URL cuja indexação seja considerada “hot”, a escolha do canonical é óbvia. Mas esses não são os únicos cenários em que a canonicalização é importante. Uma duplicação que não tenha sido contida é, em última análise, um desperdício de recursos de rastreamento, e o Google pode decidir não gastar tempos de crawl nessas páginas. Ao observar páginas com tempos de rastreamento longos e traffic potential irrelevante, recomenda-se revisar o conteúdo e, se possível, uni-las.
A importância do canonical é ainda mais clara em URLs que têm o mesmo conteúdo mas finalidades diferentes, como uma versão de impressão e uma normal. Ambas podem ser úteis, mas apenas uma delas deve aparecer nos resultados de pesquisa. Nessa situação, o link rel canonical deve ser aplicado à versão lessebled e a versão for print deve ter a tag noindex.
5.4. Análise de carregamento e experiência do usuário
A otimização do Largest Contentful Paint—métrica de desempenho que mede o tempo que o maior elemento de conteúdo é carregado e exibido na tela—e do Cumulative Layout Shift—que soma os deslocamentos de layout que ocorrem durante o carregamento da página—ajuda a preparar uma página não indexada para essa etapa. Se publicada, a eliminação dos bloqueios de renderização que comprometem essas métricas poderia melhorar a experiência do usuário e, indiretamente, ampliar a base de referências do site.
Uma página classificada como útil no relatório Page Indexing do Search Console, mas ainda não rastreada, pode ser normalizada com a validação do sitemap.xml. Além de estar acessível para o Googlebot, a URL deve constar do sitemap.xml, que não apresenta erros e é atualizado com frequência. A presença da URL em um sitemap não-indicado no Robots.txt e um sitemap.xml útil (incluindo URLs de rastreamento e de serviços de dados estruturados) pode acelerar o rastreamento e a indexação.
5.5. Uso adequado de sitemaps
Um sitemap é um arquivo que apresenta ao Google todas as rotas do seu site, permitindo que o bot não só acesse as URLs, mas também entenda a estrutura do seu conteúdo. Embora essa prática não garanta que todas as páginas individuais sejam indexadas, a inclusão em um sitemap é uma forma de informá-las sobre URLs atualmente disponíveis. Contudo, a inclusão de uma URL em um sitemap não significa que o Google irá indexá-la, e, caso uma URL não possa ser acessada pelo bot, ela permanecerá não indexada, mesmo que esteja presente no sitemap. Além disso, um sitemap deve ser atualizado regularmente para refletir o estado atual do site, pois o Google não tem a capacidade de adivinhar se um conteúdo foi removido.
Uma vez que um sitemap (sitemap.xml) é publicado no domínio principal, o Google o encontra automaticamente e o utiliza, mas é possível forçar a reavaliação e o reuso via Search Console. Para garantir o uso adequado de um sitemap, os seguintes passos devem ser seguidos: validar o sitemap.xml em um validador de sitemaps; verificar se todas as URLs que o sitemap apresenta são acessíveis aos bots; e garantir que o sitemap seja atualizado com regularidade, principalmente ao adicionar novas páginas e se não for uma URL estável.
5.6. Soluções para conteúdos bloqueados por noindex
É essencial reavaliar a necessidade de um bloqueio noindex, que sinaliza ao Google que a página específica não deve aparecer nos resultados de busca. Se essa instrução estiver presente sob conteúdos que deveriam ser indexados — como a página inicial ou páginas importantes para a estratégia —, é necessário removê-la. Alterações na meta tag robots são rastreadas normalmente; o Googlebot volta a visitar a URL em busca de atualizações. Outro ponto de cautela é a utilização do parâmetro noindex em conjunto com meta robots. Como a tag “noindex” indica não indexar, mas o desejo de indexar a página por parte do webmaster não está explícito, a combinação deve ser evitada.
6. Boas práticas de envio de URLs e reenvio de rastreamento
Evitar o desperdício de recursos na indexação de uma página é importante, mas também é preciso acelerar a incorporação ao índice de páginas realmente relevantes. No caso das URLs com maior potencial para atrair tráfego, é recomendável usar a ferramenta de inspeção de URL do Search Console, disponível na interface. Depois de inspecionar a URL, o Google apresenta a informação sobre a quantidade de tempo necessário para indexá-la. Caso a resposta leve um período excessivo, é preferível usar a ferramenta de envio e reenvio de rastreamento.
Útil para páginas novas e atualizações de conteúdo em páginas com índice de conteúdo em busca, a ferramenta de reenvio de rastreamento deve ser usada com parcimônia, para que o Google não considere um abuso, o que levaria ao bloqueio do serviço. Por outro lado, se mesmo com a observância de todas as boas práticas a página não for indexada, pode-se também usar a ferramenta de envio ou reenvio de rastreamento.
7. Monitoramento pós-correção
Monitoramento contínuo e cuidadoso das informações de indexação do Search Console e a observação do tráfego da Search Console Search Analytics Report são essenciais para verificar se os problemas foram resolvidos. O status de páginas com erros e avisos deve ser conferido regularmente. Assim que a causa do problema for corrigida, uma nova tentativa de rastreamento deve ser enviada para que o Google analise a modificação e faça a reindexação.
As mudanças no tráfego também precisam ser analisadas. O objetivo é observar se houve um aumento no tráfego, principalmente a partir de palavras-chave do tipo long tail, e se as páginas problemáticas finalmente estão aparecendo nos resultados da pesquisa.
8. Conclusão
Páginas não indexadas criam um efeito cascata com consequências que vão muito além da redução de visibilidade. Primeiramente, não é porque uma página não é encontrada que ela não está indexada: uma página pode estar perfeitamente rastreável e, por algum motivo, não ter sido indexada. Esse problema, presente em pelo menos 8 páginas do glossário, acaba afetando o tráfego e a pontuação de palavras-chave de cauda longa e, por consequência, a confiabilidade dos resultados.
O diagnóstico e a correção do relatório Page Indexing do Search Console são, portanto, um passo importante para aumentar a visibilidade de um site. Uma vez que o Search Console identificou uma página como não indexada, é preciso analisar os motivos — por exemplo, se o problema é um bloqueio direto ou um erro de canonicalização — e corrigir a questão. Além disso, mesmo páginas úteis e bem estudantes que não estão indexadas, mas que por algum motivo não foram rastreadas, podem estar perdendo importantes oportunidades de tráfego.
Escrito por
Lucas Sena
Eng. de Software






